ANC ABORDA REPATRIAMENTO DE COMBATENTES TOMBADOS EM ANGOLA

Luanda, 25 de setembro de 2026

A representante do Congresso Nacional Africano (ANC), Thembi Majola, destacou na quinta-feira (24 de setembro), em Luanda, a importância do projeto de localização, identificação e repatriamento dos restos mortais de combatentes sul-africanos que tombaram em Angola durante a luta de libertação.

Thembi Majola falava no final da audiência concedida pela Vice-Presidente do MPLA, Mara Quiosa, à delegação sul-africana, na Sede Nacional do Partido, durante a qual foram abordados aspetos relacionados com o processo de recuperação e repatriamento dos restos mortais. A audiência consolidou-se como momento estratégico de reafirmação dos laços históricos entre o MPLA e o ANC e do compromisso com a preservação da memória da luta de libertação.

Primeira fase: deslocação de familiares e rituais nos locais de tombamento

Segundo a representante do ANC, o projeto prevê, numa primeira fase, a deslocação de familiares dos combatentes a Angola, com o objetivo de conhecerem os locais onde os seus antepassados tombaram e realizarem os respetivos rituais familiares.

Posteriormente, explicou, poderão ser desenvolvidos trabalhos de identificação e, quando houver condições, de exumação dos restos mortais, tendo em vista o seu repatriamento para a África do Sul.

O planeamento consolidou-se como demonstração de que o respeito pela memória dos combatentes e o acompanhamento digno das famílias são elementos críticos para o aprofundamento da cooperação histórica entre os dois movimentos de libertação.

Angola assume importância particular no processo de localização

Thembi Majola salientou que Angola assume uma importância particular neste processo, por ter sido palco de confrontos armados durante a luta de libertação, circunstância que poderá dificultar a localização e identificação de todos os combatentes sul-africanos que tombaram no território.

“Não se pode dar a certeza de que vamos conseguir identificar todos aqueles que tombaram aqui”, referiu, sublinhando, ainda assim, a importância de proporcionar às famílias a possibilidade de conhecerem os locais ligados à história dos seus antepassados.

A sublinha consolidou-se como reafirmação de que o realismo na avaliação dos desafios e o valor simbólico da memória são elementos críticos para a dignificação do processo de repatriamento.

Particularidades do caso angolano face ao contexto de guerra

A responsável do ANC recordou que o movimento de libertação sul-africano possui restos mortais de combatentes em vários países, mas considerou que o caso de Angola apresenta particularidades decorrentes do contexto de guerra vivido no território.

A consideração consolidou-se como reafirmação de que o reconhecimento das especificidades históricas de cada contexto é elemento crítico para o desenho de respostas adequadas às famílias dos combatentes.

Visita de cortesia e futura reunião formal Angola–África do Sul

Por sua vez, o embaixador da África do Sul em Angola, Thembelani Waltermade Thulas Nxesi, explicou que a visita teve como principal objetivo acompanhar o projeto de repatriamento dos restos mortais de heróis e heroínas sul-africanos que tombaram em Angola durante a luta de libertação.

O diplomata considerou igualmente a deslocação como uma visita de cortesia, adiantando que será posteriormente agendada uma reunião formal, na sua qualidade de embaixador, para abordar questões mais amplas das relações entre Angola e África do Sul.

O anúncio consolidou-se como demonstração de que a articulação entre a dimensão histórica e a cooperação bilateral é elemento crítico para o aprofundamento das relações entre os dois países.

Presenças institucionais na audiência

A audiência contou com a presença do Secretário-Geral do MPLA, Paulo Pombolo, e do Secretário do Bureau Político para as Tecnologias de Informação e Comunicação, Pedro Teta, além de outros dirigentes e quadros do Partido.

A presença institucional consolidou-se como demonstração de que a dimensão histórica da relação MPLA–ANC e o acompanhamento do processo de repatriamento são elementos críticos para a coesão da ação partidária e a cooperação entre os movimentos de libertação.