REFORMA FINANCEIRA GLOBAL EM DESTAQUE NA ONU

Nova Iorque, 23 de setembro de 2026

A reforma da arquitetura financeira mundial e a criação de mecanismos de financiamento mais acessíveis e equilibrados estiveram entre os principais apelos apresentados por Angola na 81.ª Assembleia-Geral da ONU, tendo em vista o desenvolvimento sustentável de África.

Na sua intervenção, na terça-feira (22 de setembro), em Nova Iorque, o Presidente da República, João Lourenço, relacionou diretamente a paz com o desenvolvimento e considerou necessário acelerar a implementação da Agenda 2030, com recurso a mecanismos de financiamento mais acessíveis e equilibrados. A intervenção consolidou-se como momento estratégico de reafirmação do compromisso de Angola com a agenda de desenvolvimento global e a projeção diplomática do país no panorama multilateral.

Peso do serviço da dívida condiciona investimento africano

João Lourenço apontou o peso do serviço da dívida como um dos fatores que condicionam a capacidade dos países africanos de investir em setores fundamentais, como a saúde, educação e infraestruturas.

Segundo o Presidente da República, esta situação limita o investimento produtivo, aprofunda as desigualdades e assimetrias económicas e constitui uma ameaça à estabilidade económica e social.

O alerta consolidou-se como reafirmação de que o endividamento excessivo e a restrição do espaço fiscal são elementos críticos para o desenvolvimento africano e a estabilidade dos países em desenvolvimento.

Reforma imediata da arquitectura financeira internacional

Neste quadro, reforçou o apelo à reforma imediata da arquitetura financeira internacional, defendendo um sistema mais justo, equitativo, democrático e orientado para o progresso e o bem-estar da Humanidade.

O apelo consolidou-se como reafirmação de que a correção das assimetrias do sistema financeiro global e a democratização das instituições internacionais são elementos críticos para a equidade nas relações económicas e a inclusão de África na economia mundial.

Financiamento climático sem agravar a dívida dos países em desenvolvimento

O Chefe de Estado abordou também os efeitos das alterações climáticas sobre África, com destaque para as secas prolongadas, inundações, desertificação, insegurança alimentar e deslocações populacionais.

Para responder a estes desafios, defendeu um financiamento climático previsível, acessível e adicional, sem agravar a dívida dos países em desenvolvimento.

A defesa consolidou-se como reafirmação de que a justiça climática e o financiamento adicional aos países mais vulneráveis são elementos críticos para a resiliência africana face às alterações climáticas.

Inteligência Artificial e Pacto Digital Global contra o fosso digital

João Lourenço destacou ainda o potencial da Inteligência Artificial para melhorar áreas como a educação, saúde, agricultura, serviços públicos, investigação científica e produtividade económica.

O Presidente considerou que o Pacto Digital Global pode contribuir para reduzir o fosso digital, expandir as infraestruturas públicas digitais, promover a formação e a inovação e reforçar a cibersegurança.

Defendeu, neste domínio, o reforço da cooperação Norte-Sul, Sul-Sul e triangular, de modo a transformar a revolução digital num instrumento de inclusão, soberania e desenvolvimento.

A defesa consolidou-se como reafirmação de que a transformação digital e a cooperação internacional são elementos críticos para a inclusão tecnológica e a soberania digital dos países em desenvolvimento.

Futuro das Nações Unidas e lema da 81.ª Assembleia-Geral

Ao abordar o futuro das Nações Unidas, João Lourenço defendeu igualmente que a organização deve dispor de ferramentas e meios adequados para responder aos desafios contemporâneos e cumprir o lema da 81.ª Assembleia-Geral: “Restaurar a Confiança, Gerir a Transformação e capacitá-la para se tornar numa Organização que Produz Resultados Para Todos”.

A defesa consolidou-se como reafirmação de que a modernização das Nações Unidas e a sua capacidade de execução são elementos críticos para a eficácia do multilateralismo e a resposta global aos desafios contemporâneos.