Luanda, 17 de junho de 2026
Angola e a China pretendem elevar a sua cooperação bilateral para novos setores de elevado valor acrescentado, com destaque para a inteligência artificial, economia digital e energias renováveis, numa estratégia que visa acompanhar as transformações tecnológicas globais e impulsionar o desenvolvimento sustentável dos dois países.
A perspectiva foi avançada pelo Embaixador da China em Angola, Zhang Bin, no final de uma audiência concedida pelo Presidente da República, João Lourenço, realizada terça-feira (16 de junho) no Palácio Presidencial, em Luanda. O encontro consolidou-se como momento estratégico de avaliação da parceria bilateral e identificação de novas oportunidades de cooperação.
Avaliação da parceria estratégica e novos setores
Segundo o diplomata, o encontro serviu para avaliar os resultados alcançados no quadro da parceria estratégica entre os dois Estados, com especial incidência nos domínios económico e comercial, bem como para identificar novas oportunidades de cooperação capazes de responder aos desafios e exigências da economia do futuro.
Zhang Bin destacou que os avanços tecnológicos e as mudanças em curso no cenário económico internacional exigem uma abordagem cada vez mais inovadora das relações bilaterais, razão pela qual Angola e China estão a explorar áreas emergentes ligadas à transformação digital, inteligência artificial e energias limpas. A reorientação consolida-se como resposta estratégica às dinâmicas do século XXI.
Orientações presidenciais e aprofundamento da parceria
De acordo com o representante diplomático, as conversações permitiram igualmente abordar as perspectivas de aprofundamento da parceria estratégica abrangente estabelecida entre os dois países, tendo o Presidente João Lourenço apresentado orientações sobre setores prioritários para o reforço da cooperação nos próximos anos.
O embaixador assegurou que a parte chinesa está empenhada em trabalhar em estreita coordenação com Angola para materializar as orientações definidas e ampliar os benefícios da parceria bilateral, considerada uma das mais importantes no quadro das relações de cooperação sino-africanas.
Investimentos chineses em setores estratégicos
Atualmente, os investimentos chineses em Angola abrangem setores estratégicos da economia nacional, incluindo a produção de materiais de construção, indústria alimentar, setor têxtil, imobiliário, construção de parques industriais, processamento de recursos minerais e fabrico de componentes para veículos e equipamentos eletrónicos. O portfólio diversificado consolida-se como base sólida para a expansão para novos domínios.
Perspetivas de modernização tecnológica
Especialistas consideram que a aposta em áreas como a inteligência artificial e a economia digital poderá representar uma nova fase nas relações entre Luanda e Pequim, contribuindo para a modernização tecnológica, criação de emprego qualificado e aumento da competitividade da economia angolana. A transição consolida-se como oportunidade estratégica de transformação económica.
Contexto histórico e evolução da parceria
Angola e China mantêm relações diplomáticas desde 1983 e, ao longo das últimas décadas, construíram uma cooperação abrangente que tem desempenhado um papel relevante nos setores das infraestruturas, transportes, energia, saúde, educação, ciência e tecnologia. Em 2024, os dois países elevaram oficialmente a relação bilateral ao estatuto de parceria estratégica abrangente, consolidando um novo ciclo de cooperação assente na confiança mútua, desenvolvimento económico e partilha de interesses comuns.
A audiência realizada no Palácio Presidencial reafirma a intenção de ambos os países de aprofundar essa parceria, explorando novas áreas de crescimento e inovação capazes de responder às exigências do século XXI e fortalecer ainda mais os laços históricos de amizade e cooperação entre Angola e a China.
