JOÃO LOURENÇO ALERTA PARA AGRAVAMENTO DA SITUAÇÃO INTERNACIONAL

Nova Iorque, 23 de setembro de 2026

O Presidente da República, João Lourenço, alertou para o agravamento da situação de paz e segurança no mundo e defendeu uma intervenção mais efetiva das Nações Unidas na prevenção e resolução dos conflitos, com base no diálogo, no Direito Internacional e no multilateralismo.

Ao discursar na terça-feira (22 de setembro), na 81.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o Chefe de Estado manifestou preocupação com o atual quadro internacional, considerando que o mundo tomou um rumo que o aproxima “assustadoramente de uma conflagração global”. O discurso consolidou-se como momento estratégico de reafirmação do compromisso de Angola com a paz internacional e a projeção diplomática do país no panorama multilateral.

Condenação do terrorismo e iniciativas de paz em África

João Lourenço condenou o terrorismo em todas as suas formas e reafirmou a disponibilidade de Angola para continuar a contribuir para a construção e consolidação da paz em África e no mundo.

O Presidente destacou, neste âmbito, várias iniciativas de paz promovidas em África, com particular referência à 21.ª Conferência Extraordinária da União Africana sobre o Reforço dos Mecanismos de Prevenção e Resolução de Conflitos em África, realizada recentemente em Luanda.

O destaque consolidou-se como reafirmação de que a diplomacia angolana e a mediação regional são elementos críticos para a estabilidade africana e a projeção de Angola como ator relevante na arquitetura de paz do continente.

Resolução 2719 e financiamento das operações de paz

O Chefe de Estado defendeu também a implementação efetiva da Resolução 2719 do Conselho de Segurança, de modo a garantir financiamento previsível, adequado e sustentável às operações de apoio à paz lideradas pela União Africana e autorizadas pelas Nações Unidas.

A defesa consolidou-se como reafirmação de que o financiamento sustentável das operações africanas de paz é elemento crítico para a capacidade de resposta do continente aos conflitos e a eficácia do multilateralismo.

“Ambiente de anarquia mundial”: conflitos na Europa, Médio-Oriente, Ásia-Pacífico e África

Ao abordar os conflitos internacionais, apontou a instabilidade na Europa, no Médio-Oriente, no Golfo Pérsico e em África, além do crescimento das tensões na região da Ásia-Pacífico.

“Vivemos hoje num ambiente de anarquia mundial em que o uso da força impera sobre a força da razão e da Lei”, afirmou João Lourenço, apelando a uma profunda reflexão no seio das Nações Unidas para encontrar soluções para a paz global.

O apelo consolidou-se como reafirmação de que o primado do Direito Internacional e a diplomacia preventiva são elementos críticos para a contenção dos conflitos e a preservação da segurança global.

Reforma do Conselho de Segurança e representação de África

O Presidente angolano defendeu igualmente uma reforma profunda do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com uma representação adequada de África, América Latina e Ásia na condição de membros permanentes, com todos os poderes inerentes.

A defesa consolidou-se como reafirmação de que a representatividade nos órgãos de decisão global e a correção das assimetrias históricas são elementos críticos para a legitimidade e a eficácia do sistema multilateral.

Consenso de Ezulwini e Declaração de Sirte: a voz africana nas decisões globais

Neste contexto, Angola reafirmou o seu apoio à posição comum africana consagrada no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte, defendendo que a voz africana seja ouvida nos processos de decisão sobre a paz, segurança mundial, financiamento ao desenvolvimento, clima e governação da Inteligência Artificial.

A reafirmação consolidou-se como demonstração de que a coordenação da posição africana e a ação concertada do continente são elementos críticos para a inserção de África nos processos de decisão internacional.

“Nenhuma arma é mais poderosa que a diplomacia”

Na parte final da intervenção, João Lourenço reafirmou o compromisso de Angola com as Nações Unidas e defendeu o multilateralismo como instrumento para a busca de soluções pacíficas para os conflitos que afetam o mundo.

“Nenhuma arma é mais poderosa que a diplomacia”, declarou o Presidente, sustentando que apenas o diálogo, a cooperação, a solidariedade e a força do Direito poderão contribuir para uma ordem internacional mais justa, pacífica e inclusiva.

A declaração consolidou-se como reafirmação de que a diplomacia e o multilateralismo constituem os pilares da ação externa de Angola e elementos críticos para a construção de uma ordem internacional fundada no Direito e na cooperação.