INTERVENÇÃO DE ABERTURA DO ENCONTRO DE RECEPÇÃO DE OPINIÕES DA...

INTERVENÇÃO DE ABERTURA DO ENCONTRO DE RECEPÇÃO DE OPINIÕES DA SOCIEDADE ANGOLANA “TERMÓMETRO” PROFERIDO PELA CAMARADA LUÍSA DAMIÃO, VICE-PRESIDENTE DO MPLA, HUAMBO 17 DE JUNHO DE 2021
INTERVENÇÃO DE ABERTURA DO ENCONTRO DE RECEPÇÃO DE OPINIÕES DA SOCIEDADE ANGOLANA "TERMÓMETRO” PROFERIDO PELA CAMARADA LUÍSA DAMIÃO, VICE-PRESIDENTE DO MPLA, HUAMBO 17 DE JUNHO DE 2021
Camarada Paulo Pombolo, Secretário-Geral do MPLA;
Camaradas Membros do Secretariado do Bureau Político;
Camarada Lotti Nolika, Membro do Comité Central, Primeira Secretária Provincial do MPLA e Governadora Provincial do Huambo
Camaradas Directores do Comité Central e Chefes de Divisão;
Excelentíssimos Convidados;
Começo em primeiro lugar por manifestar a nossa profunda satisfação e alegria pela calorosa recepção de que somos alvo, dos cidadãos das terras lindas do Planalto Central, dos militantes do MPLA, da OMA e da JMPLA.  Em segundo lugar, expresso uma forte saudação de boas vindas a todos os convidados neste encontro de recepção de opiniões da sociedade angolana denominado "Termómetro”, que a nível nacional já vai na sua III Edição e a nível das estruturas intermédias vai sendo realizado a nível provincial e municipal. 
A direcção do MPLA, promove esta iniciativa que já se tem mostrado bastante frutífera, visando aumentar os mecanismos de diálogo interactivo e aberto com as figuras angolanas sobre grandes questões nacionais e internacionais, atendendo a sua influência no seio dos angolanos
Para esta edição nacional especial, o tema em Termómetro versa sobre: "A Importância do Perdão e Tolerância, para o Aprofundamento da Reconciliação e Unidade Nacional”, sob a moderação do camarada Albino Carlos, Membro do Bureau Político do Comité Central do MPLA e Secretário para Política Social.  E são nossos oradores convidados:
A Dra. Virgínia Mária Abrunhosa Lacerda Quartim, Vice-Reitora para a área Científica e Pós-graduação da Universidade José Eduardo dos Santos;
O Teólogo, Adelino Timóteo Mateus – Pastor da Igreja Evangélica; 
O Dr. Domingos Betico, Advogado, Docente Universitário e Analista Político;
Jorge Marcos Benedito Manuel, Cientista Político e Docente Universitário.
Caros participantes;
Minhas Senhoras e meus Senhores;
No dia 26 de Maio, o País assistiu a uma declaração histórica, com elevadíssima responsabilidade patriótica e dimensão de Estado, proferida por Sua Excelência, o camarada Presidente João Lourenço, sobre o pedido de desculpas públicas e perdão, dos crimes e atrocidades registados durante os conflitos que ocorreram no período entre 1975 a 2002. 
O pedido de desculpas e perdão público dirigido à Nação Angolana representa o reconhecimento dos erros cometidos entre irmãos da mesma pátria, aprofunda indubitavelmente, a preservação e manutenção de uma paz definitiva, sobretudo a reconciliação nacional, a inclusão social, o perdão mútuo e do sarar das feridas do conflito armado. E como disse Sua Excelência o Presidente João Lourenço e eu cito: "Acreditamos que este gesto carregado de emoção e de um grande simbolismo proporciona um grande alívio às famílias das vítimas, mas também ao Estado angolano que, através do actual Executivo, decidiu quebrar o silêncio de mais de quatro décadas.  
Representa ainda, uma nova etapa na história recente do nosso País, que nos ensinam lições de que tudo devemos fazer para que o passado sirva de exemplo para as presentes e futuras gerações. Não haverá desenvolvimento se as famílias não estiverem reconciliadas. Dizia Sua Excelência no Discurso de pedido de desculpas públicas e de perdão, que "Não é hora de nos apontarmos o dedo procurando os culpados; importa que cada um assuma as suas responsabilidades na parte que lhe cabe. 
Neste particular de assumpção de responsabilidades, o Estado Angolano acaba de fazer a sua parte ao assumir os erros cometidos no quadro do 27 de Maio. Caberá agora quem nos conflitos armados no período entre 1975 a 2002 reconhecer com humildade que terá cometido erros gravosos, perder a vergonha e ter a coragem de pelo menos uma vez na história do País vir a público, com sinceridade, pedir desculpas públicas e perdão.     
Dirão os cidadãos e sobretudo os mais jovens, contem-nos a história, aqui importa realçar que ela não se apaga recorda-se. Junto-me às vozes que dizem que caberão aos historiadores e outros especialistas, contribuírem para que os factos sejam trazidos para o conhecimento das novas gerações e para os manuais de ensino. Está aqui um dos desafios das nossas instituições de ensino e de investigação.  
O MPLA não tem medo de assumir os seus erros, aliás o fazemos sempre com sentido de responsabilidade. Não é mero acaso, que tivemos a humildade de reconhecermos que precisamos "Melhorar o que está bem, corrigir o que está mal”. 
Aqui na Província do Huambo, no âmbito da pré-campanha e campanha eleitoral, o Camarada Presidente João Lourenço, nas suas intervenções, procedeu a um virar de página, abordando entre vários assuntos, a necessidade da harmonia, da coesão, da reconciliação nacional e desenvolvimento do país. 
Caros participantes;
O MPLA junta-se as vozes da sociedade civil que saúdam e encorajam o Estado Angolano, liderado por Sua Excelência, João Lourenço, Presidente da República, que assumiu a condição dos destinos do país numa fase difícil. Não podemos ficar indiferentes às correntes positivas dos cidadãos, da sociedade civil, mormente da igreja angolana em torno das acções positivas do Estado angolano e aqui assinalar a necessidade de que essa mensagem de pedido de desculpas públicas e de perdão, faça parte das nossas relações, na família, na sociedade, nas instituições do Estado, nas relações sociais e na escola e no Estado. 
Acreditamos que quando há reconciliação, tudo se renova, renova-se a fé, o amor, a paixão, a paz interior na alma. Acabam-se as insónias, as torturas emocionais, as incertezas, os pesadelos, em suma, se renovam os corações e há o despertar de esperança e um novo recomeçar. 
A chave para o desenvolvimento deste imenso e rico país reside na unidade, na paz e no reencontro sincero e verdadeiro entre os irmãos. 
Para nós angolanos que somos a maioria de matriz cristã, entendemos o perdão como princípios divinos que nos aproximam de Deus e uns dos outros. É o Amor com Deus e com o próximo. 
A resolução dos problemas do passado e a mitigação das injustiças históricas responsáveis por uma série de divisões sociais, são desafios para as sociedades democráticas que têm buscado o caminho da reconciliação. No entender de vários teóricos, a reconciliação representa para muitos países hoje um pilar indispensável para as transformações democráticas que se impõem e um dos motores de reformulação do contrato social. 
Angola vive uma experiência exemplar em termos de preservação e manutenção de uma paz definitiva e de aprofundamento constante da reconciliação nacional, da inclusão social, do perdão mútuo e do sarar das feridas do conflito armado, que terminou há cerca de 19 anos.
Nós, o MPLA, enquanto partido político que conhece o valor da paz e da reconciliação nacional, face aos desafios que o País tem pela frente, juntámo-nos à sociedade civil, às igrejas e aos cidadãos que reconhecem e valorizam o pedido de desculpas e do perdão. Por isso, estamos aqui reunidos para uma reflexão oportuna e necessária. 
Desejo a todos um excelente Termómetro e que cada um dê a sua contribuição com abertura, crítica construtiva e tolerância. Nós, o MPLA, estamos determinados a edificarmos todos juntos, uma sociedade de justiça, de progresso, igualdade e diversidade, com paz, unidade e coesão nacional, com todas as contribuições dos cidadãos angolanos. 
Muito obrigada pela vossa especial atenção.
Voltar