Igualdade de tratamento debatida na Assembleia Nacional

Paulo de Carvalho, Deputado à Assembleia Nacional pelo Grupo Parlamentar do MPLA, revelou, nesta terça-feira, que nas ruas e nas redes sociais deixou de haver tolerância e respeito mútuo.
PORTALMPLA - 3 de Março (Quinta-feira) de 2022 - O sociólogo de formação fez a revelação na sessão plenária extraordinária da Assembleia Nacional realizada ontem (02/03/2022), em que foi discutido o tema "Igualdade de tratamento dos Partidos Políticos nos termos da Constituição e da Lei”, proposto pelo Grupo Parlamentar da UNITA.
"Nas ruas e nas redes sociais deixou de haver tolerância e respeito mútuo. Não sei quem mais terá a perder com este tipo de actuação. Não podemos continuar a suportar tão elevada dose de intolerância, apenas por não pertencermos ao mesmo partido político deste ou daquele arruaceiro”, disse.
Com todas as letras e em bom som, Paulo de Carvalho revelou que, "nos últimos dois anos, temos constatado que destacados militantes e dirigentes da UNITA têm estado a promover actos de intolerância política nas ruas e nas redes sociais, para além de instigarem o desrespeito pelas instituições e entidades do Estado, incluindo a magna Assembleia Nacional e os seus deputados”.
Para o deputado, é estranho como a UNITA vem exigir um direito legítimo, que é o da igualdade e tratamento mas, em contrapartida, nas ruas e nas redes socias, fomenta o oposto.
"O crescendo de intolerância em relação aos militantes do MPLA nada tem a ver com o fazer política, apenas significa fomentar a violência e a confusão, com o velado propósito de intimidar os opositores” afirmou.
Paulo de Carvalho considera que "quando se fala em igualdade de tratamento, e isso deve ocorrer com todos os intervenientes, há que considerar uma série de aspectos que devem ser observados.
Normalmente, disse ainda Paulo de Carvalho, a descriminação atinge as minorias, coisa que condeno, obviamente, pois as minorias devem ser protegidas e não descriminadas, mas ultimamente, no nosso país, está a acontecer um caso caricato, A descriminação e a hostilização ocorrem com militantes e simpatizantes do maior partido político angolano.
Para suportar a sua tese, entre muitas, Paulo de Carvalho colocou a seguinte questão: "como é possível que eu seja agredido verbal ou até fisicamente, apenas por reconhecer que sou do MPLA. Qual é o problema de ser militante ou simpatizante do MPLA? O que tem isso de mau para Angola?"
Paulo de Carvalho reconheceu razão quando se diz existir órgãos que não cumprem as regras de isenção que a lei determina.
Com uma postura crítica, o deputado pelo MPLA afirmou ser preciso maior abertura na comunicação social, quer a estatal com a não estatal, porque os ditames da lei são para ser cumpridos não só pelos médias estatais, mas também pelos privados.
Mas isso, prosseguiu, exige que se pergunte, porque razão os jornalistas que aparecem para fazer a cobertura das actividades políticas da UNITA são, muitas vezes, sujeitos à insultos e até agressões?
"Há incongruência quando se exige cobertura das suas actividades, com todo o direito, sublinhe-se mas, em contrapartida, se agridem jornalista para depois dizerem que não foi feita a cobertura jornalística do acto”, realçou o deputado.
Socorrendo-se de números de matérias publicadas pelo Jornal de Angola entre Maio de 2021 e Fevereiro de 2022 e da TV Zimbo (Outubro de 2021 e Fevereiro de 2022), que ditam maior percentagem de realizações política para o MPLA, Paulo de Carvalho disse não ser correcto à quem realizou menos actividades, exigir aparecer na média, em igualdade com quem mais realizou actividades políticas.
No fim da sua intervenção, Paulo de Carvalho levantou a seguinte questão: "Com tanta agressão, tão elevada dose de insultos, será que estamos em clima de guerra aberta ou pelo contrário, vamos optar apenas por uma disputa eleitoral urbana e sadia, com tolerância e respeito pelas opções alheias, tal qual pretendem os cidadãos eleitores?
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