VISITA DO PR DA RCA: Discurso do Camarada Presidente no almoço oficial

TODOS OS ESFORÇOS NÃO FORAM EM VÃO – 01.11.16

Luanda, 01 NOVEMBRO 16 (3ª FEIRA) – Discurso do Camarada Presidente José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, terça-feira (01), em Luanda, por ocasião da visita oficial do seu homólogo da República Centro-Africana, Faustin Archange Touadéra:
“Sua Excelência Faustin Archange Touadéra, Presidente aa República Centro-Africana,
Excelentíssimos senhores ministros e membros das delegações presidenciais,
Ilustres convidados,
Minhas senhoras e meus senhores,
É, para mim, motivo de grande satisfação que Vossa Excelência tenha acedido fazer esta visita oficial ao nosso país, a primeira desde que assumiu as funções de mais alto dignitário da República Centro-Africana, depois de um longo e conturbado período de transição.
Aproveito esta ocasião para lhe reiterar, pessoalmente, as minhas felicitações por essa eleição, que espelha bem a vontade do povo centro-africano, de encetar claramente uma nova era de paz, segurança e prosperidade.
Com efeito, só num clima de estabilidade e de respeito pelas instituições democráticas é possível criarem-se as condições para o desenvolvimento pleno das potencialidades do país, dando satisfação às necessidades e aspirações do seu povo.
É urgente, pois, que se recomponha o tecido social afectado pelos conflitos destes últimos três anos, fazendo regressar aos seus locais de origem as populações deslocadas e dando-se maior atenção, não só àquelas que se encontram distantes da capital, mas também às minorias religiosas.
Foram, de facto, essas populações as que mais facilmente foram influenciadas pelo radicalismo das forças rebeldes, que trataram de pôr em causa a autoridade do Governo central sobre todo o território nacional.
Estou certo de que, graças à acção esclarecida de Vossa Excelência, se vai normalizar o funcionamento das instituições democráticas na República Centro-Africana e ser dada uma atenção igual aos programas de inclusão social e de desenvolvimento.
A garantia do êxito de qualquer processo político que visa a paz e a reconciliação nacional assenta sempre na seriedade de propósitos dos antagonistas, no respeito escrupuloso pelos acordos assinados, pois os interesses da nação devem sempre estar acima dos interesses pessoais ou partidários.
O sucesso até aqui do processo político na República Centro-Africana deveu-se, assim, à acção concertada das diversas forças internas e do contributo dos governos dos países da África Central, da União Africana, das Nações Unidas e da União Europeia.
A linguagem das armas, com a qual a certa altura alguns grupos trataram de fazer valer os seus propósitos, nunca conduziu a qualquer solução viável. Pelo contrário, ela só conduz à destruição e a um maior aumento do sofrimento das populações.
Louvo, portanto, a atitude aberta e dinâmica que Vossa Excelência assumiu desde que foi eleito, pois ela é a maior garantia de que todos os esforços até aqui feitos para a pacificação, a reconciliação e a normalização da vida política na República Centro-Africana não foram em vão.

Excelência,
Minhas senhoras e meus senhores,

Teve lugar em Luanda, há menos de uma semana, a 7ª Reunião de Alto Nível do Mecanismo Regional de Revisão do Acordo Quadro para a Paz, Desenvolvimento e Cooperação na RDC e Região, que abordou, também, a situação prevalecente na República Centro-Africana.
Podemos dizer que foram comuns as preocupações transmitidas pelos distintos participantes a cerca dos últimos ataques das forças rebeldes, que têm provocado vítimas civis, criado o pânico no seio das populações e levantando interrogações sobre a paz e a segurança do país.
É importante que as incertezas que ainda pairam na consciência de uns e de outros não constituam fontes de desconfiança, nem sejam focos de disputas antigas ou de novos conflitos.
O processo de desarmamento, desmobilização e reinserção deve ser um facto, para que a união e a reconciliação nacional se tornem efectivas e sejam o pólo de convergência de todos os actores políticos, visando consolidar a plataforma democrática, na qual todos poderão livremente expressar as suas ideias e defender os seus legítimos interesses.
Os problemas de natureza política clamam sempre por encontrar soluções num espírito de tolerância, flexibilidade, realismo e pragmatismo.
Por essa razão, julgo pertinente repetir que a melhores soluções para os problemas políticos da República Centro-Africana não passam pela sua transferência para qualquer entidade judicial, mas devem ser encontradas através da discussão e da concertação política, que conduzam a um consenso e à reorganização e reforço das Forças Armadas e da Polícia Nacional.
A República de Angola, em particular, a Comissão dos Estados da África Central e a União Africana exprimiram já o seu desejo de apoiar a República Centro-Africana, na elaboração e execução de um programa para realizar este objectivo.

Excelência senhor Presidente,

Expresso-lhe, em meu nome e em nome do povo angolano, os mais sinceros votos de boas-vindas e boa estadia em Angola.
Tomámos boa nota do desejo de Vossa Excelência de se estudarem as modalidades para desenvolver uma cooperação multilateral, mutuamente vantajosa, entre os nossos dois países.
Convido agora os presentes a erguerem as suas taças, pela saúde e longa vida de Sua Excelência Faustin Archange Touadéra.
Muito obrigado”.
PortalMPLA/Sede Nacional do Partido
Foto: Angop

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