VERDADE OCULTA DA CONCORRÊNCIA AO MPLA – Epinelas Mateus*

“Afirmar que tudo está mal e que o MPLA nada fez é a mais vil forma de deturpar os factos, optando pela política do ‘vale tudo’”.

Luanda, 31 JULHO 17 (2ª FEIRA) - Em política, a nobreza está em, sobretudo, reconhecer os feitos dos outros, por maiores que sejam as diferenças. A esse gesto, associam-se o sentido de Estado, devoção à causa, à cidadania e ao patriotismo.

Com o início da Campanha Eleitoral, pasmei-me com o mercenarismo de políticos cá da urbe, que só ostracizam o País, logicamente os cidadãos-eleitores. Como entender que à noite, em horário nobre excepcional, políticos há que amaldiçoam Angola e logo pela manha e à tarde, juram-lhe amar com uma devoção que espanta os santos?

Os tempos de antena, aliados aos actos políticos de algumas formações, com a UNITA como panaceia dessa estratégia, estão a ser usados, para ferir o que de mais importante um Homem possui: o seu legado. A sua honra.

Afirmar que tudo está mal e que o MPLA nada fez é a mais vil forma de deturpar os factos, optando pela política do “vale tudo”, como se de idiotas o povo se tratasse.

Nesta fase derradeira rumo às eleições de 23 de Agosto, alguns candidatos optam pela crítica no vazio, esquecendo-se de esmiuçar as metamorfoses que pretendem realizar para alcançar o poder, inviabilizando o eleitor a compreender os seus programas de governação, que aliás, será o mote do escrutínio. E nada mais.

Os opositores ao MPLA alvitram propostas irrealizáveis, do ponto de vista humano e financeiro, cuja viabilidade está condicionada à conjuntura económica e financeira vigente. Ali não explicam. Complicam.

É insensato prometer acabar com a fome e com a pobreza com um simples estalar de dedos. Criar milhões de empregos sem explicar como e com o quê. Essas estratégias requerem a conjugação de meios endógenos e exógenos, para diminuir a sua incidência sobre a população.

Aliás, não existe no Mundo país algum, por mais industrializado que seja, que tenha acabado com a fome e com a pobreza, como esses alguns estão a apregoar. Sejamos realistas.

Aliados aos planos de combate vigoroso a esses males sociais, deveria constar o provimento de mais quadros, à altura do contexto de Angola, que engrossarão, como lhe tinha já chamado o candidato do MPLA a Presidente da República, João Lourenço, o exército de “soldados do desenvolvimento”, que garantirão a estabilidade e a prosperidade para as famílias e, consequentemente, o desenvolvimento para o País.

Os programas de governação desses partidos apontam ainda, como metas, o aumento significativo do número de escolas, hospitais, estradas e outros equipamentos sociais, o que, implicitamente, pressupõe continuar com algo já iniciado, reconhecendo, assim, os feitos do MPLA, verdade que os mesmos procuram ocultar. Contornando essa tácita confissão, a alternativa adoptada passa, precisamente, pela deturpação dos factos.

Reféns da velha estratégia da diabolização política, esses partidos revelam total incapacidade de cumprir as suas promessas, às quais juram ser fiéis portadores.

A história recente dos pleitos em Angola, relata-nos que esta acção de “profetizar” o céu e a terra, sem indicar os caminhos para se lá chegar, é duramente penalizada nas urnas. “Tudo o que peço aos políticos é que se contentem em mudar o Mundo, sem começar por mudar a verdade” – já dizia Jean Paulhan, escritor francês.

(Na foto, com a construção do novo Caminho-de-Ferro de Benguela, o comboio chegava ao Luau, no Moxico, extremo leste de Angola, a 14.02.15. Obra feita).

*Jornalista/Analista político

PortalMPLA/EP/AB

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