SG do MPLA publica, 3ª feira, edição revista de “Memórias”

A cerimónia de lançamento terá lugar (03), no Hotel Epic Sana, na baixa de Luanda, às 18H30M.

 

Luanda, 02 FEVEREIRO 15 (2ª FEIRA) – O secretário-geral do MPLA, camarada Julião Mateus Paulo “Dino Matrosse”, vai fazer sair a público, terça-feira (03), em Luanda, a 2ª Edição Revista do seu livro de “Memórias” da Luta de Libertação Nacional de Angola, referente ao período 1961/1971.

A cerimónia terá lugar no Hotel Epic Sana, na baixa de Luanda, a partir das 18 horas e 30 minutos.

Eis alguns excertos da 1ª Edição do livro de “Memórias” do camarada Dino Matrosse, divulgado, no largo defronte à Rádio Nacional de Angola, na capital angolana, no dia oito de Janeiro de 2006:

“A FUGA

Depois de uma profunda reflexão e de vários contactos encetados por mim junto de alguns jovens angolanos de confiança para traçarmos o plano de fuga para o exterior, optei por abandonar os estudos e a família para juntar-me ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Este facto concretizou-se no dia 31 de Dezembro de 1962. A minha fuga foi precedida de uma longa preparação psicológica, porque seria a primeira vez que iria viver longe da família, dos amigos e do país, e também devido aos riscos que esta fuga significava ou acarretaria. Não foi fácil tomar esta decisão que considero hoje corajosa e de grande risco, se atendermos às circunstâncias da época e ao controlo e à vigilância que a DIPE/DGS exercia no país.Toda a suspeita de qualquer tentativa de fuga tinha o seu preço: a repressão ou a morte certa.

Preparada a fuga, os meus primos David Pedro Gomes, “Didas”, já falecido, e David Domingos Joaquim, “David Júlio”, partiram com 16 e 8 dias de antecedência, respectivamente, antes de mim. A escolha de datas diferentes, embora utilizando quase o mesmo tipo de meios e a mesma via, tinha como finalidade dar a possibilidade aos que ficavam de observarem a reacção e o comportamento das autoridades e dos seus agentes e de permitir saber da passagem, ou não, pelos locais intermédios combinados, e da chegada ao local de destino, através das nossas redes de informação.

Do nosso grupo fui o último a abandonar o país e fui ajudado por um jovem natural da Província de Cabinda, chamado Francisco, que tinha conhecimento perfeito das vias a serem utilizadas a partir de Cabinda para o ex-Congo Belga. Nunca cheguei a saber se este elemento era ou não do MPLA ou se o trabalho que executava para possibilitar a fuga de muitos jovens angolanos para o exterior, tinha algo a ver com alguma orientação do Movimento. Sei apenas que falava muito bem do MPLA e evitou que os elementos que ele apoiava na fuga fossem encaminhados para a UPA/FNLA.

Era ele quem fazia o vai-vem de Cabinda/Luanda e vice-versa e, às vezes, transpondo mesmo a fronteira de Cabinda até à aldeia de Vista e Moando, duas localidades que faziam parte do território do ex-Congo/Belga.

Escolhi a data de 31 de Dezembro para a minha fuga por ser véspera de Ano Novo e, por conseguinte, ser um período favorável, devido à pouca vigilância por parte das autoridades policiais e especialmente da PIDE/DGS, já que as pessoas estavam mais preocupadas com a preparação e organização da festa de passagem de ano. Fi-lo também em homenagem aos meus 20 anos que acabava de fazer na véspera”.

 

“A INTEGRAÇÃO NO MOVIMENTO

Na manhã de 10 de Janeiro, na companhia dos colegas de fuga, Pedro de Castro dos Santos Van-Dúnem “Loy”, Balduino “Bwanga” e do José Manuel “Miló”, este último encontrado já na nossa delegação em Matadi, onde esperava, há já alguns dias, partimos de comboio para Léopoldville (actual Kinshasa). Ali tivemos o grande privilégio de sermos recebidos pelo camarada Lúcio Lara, membro do Comité Director que, na altura, nos brindou com informação detalhada sobre as actividades do Movimento completando as explicações que tínhamos recebido em Muanda. Por nosso lado, também, fornecemos ao camarada Lara, informações de que dispúnhamos sobre o país e, após este breve encontro, fomos conduzidos a uma das residências do Movimento, em Léopoldville, precisamente em Ndolo, onde encontramos muitos camaradas. Entre eles estavam os camaradas José Eduardo dos Santos – hoje Presidente do MPLA e da República de Angola – Mário Santiago, Kito, Tomás, Santos, Brito Sozinho “Longa Marcha” e tantos outros, nossos conhecidos de Luanda, pois morávamos no mesmo bairro daquela cidade e éramos amigos, alguns dos quais antigos colegas de escola.

A nossa satisfação foi enorme, nos primeiros dias quase que não dormíamos, pois as nossas conversas eram demoradas, entravam pela noite adentro, devido ao interesse suscitado por parte dos camaradas de saber notícias sobre o país, sobre as suas famílias e sobre as pessoas amigas. Da nossa parte igualmente, havia o desejo de nos inteirarmos mais ainda das questões ligadas com o MPLA, o EPLA, a luta de libertação e suas perspectivas.

Rapidamente, nos enquadramos no processo de luta e nos familiarizamos com o ambiente de militância encontrado, reinando entre nós a compreensão, o espírito de entreajuda, camaradagem, solidariedade militante e de sacrifício à causa da revolução. O ambiente era de verdadeira unidade nacional. Passámos assim a conhecer-nos melhor, já que o objectivo de cada um de nós ali era comum, participando todos, com entusiasmo, na luta de libertação nacional pela Independência do povo angolano.

Todos aqueles que chegavam a Léopoldville com intenção de ingressar no MPLA eram, normalmente, submetidos a cursos político-ideológicos intensivos e de curta duração, onde se davam as primeiras noções sobre o MPLA-Movimento, os seus Estatutos e Programa, sobre o colonialismo, neo-colonialismo, o imperialismo e sobre o papel dos movimentos de libertação do Mundo que lutavam pela independência e pela dignificação dos seus povos ainda oprimidos. Logo após o nosso enquadramento e reconfirmação nas fileiras do MPLA começamos a funcionar em diferentes estruturas burocráticas, tendo em conta as aptidões de cada um.

Eu fui colocado, primeiramente, no Gabinete do Camarada Agostinho Neto com a função de dactilógrafo e, mais tarde, no CVAAR, onde trabalhei com os camaradas Deolinda Rodrigues de Almeida, Nelumba, desaparecido numa das prisões da FNLA em Léopoldville (pai do Dr. Nelumba e do General ‘Sanjar’), com o reverendo Filipe Martins (pai do Dr. João Filipe Martins) e com outros camaradas, cujos nomes não consigo recordar”.

PortalMPLA/MA/AB

 

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