OPINIÃO: Sensatez política em Angola – Eduardo Magalhães

“Estará o missionário do ódio tão-somente a expor o próprio pescoço ao rancor que semeia”.

Luanda, 30 JUNHO 17 (6ª FEIRA) - A aprovação, quarta-feira, 28 de Junho corrente, com os votos a favor, do MPLA, da CASA-CE, do PRS, da FNLA e, ainda, de Nfuka Muzemba da UNITA, na Assembleia Nacional, da Lei Orgânica sobre o Regime Jurídico dos Antigos Presidentes da República, após a cessação de mandato, é um importante passo para o amadurecimento político em Angola.

O que aconteceu foi simplesmente colocar em lei o que está consagrado na Constituição da República de Angola.

A criação de um estatuto institucional digno e realista, para quem exerceu ou venha a exercer as funções de mais alto magistrado da Nação, foi precedida por uma avalanche de críticas infundadas, que em nada contribui para o fortalecimento das instituições e o clima de normalidade democrática em curso no País.

Aquele que tenta fazer de qualquer acção política um acto meramente eleitoralista sabe que pode ser vítima do próprio veneno. Ao incitar a sociedade à prática do desrespeito àqueles que prestaram relevantes serviços ao País, estará o missionário do ódio tão-somente a expor o próprio pescoço ao rancor que semeia.

A aprovação, quase por unanimidade, do estatuto especial dos antigos presidentes revela que o projecto de lei apresentado pelo MPLA foi, antes de tudo, elaborado sob o mais absoluto rigor e a devida responsabilidade no trato com a coisa pública.

Ignorar esta premissa, apenas por preconceito, oportunismo e chantagem política, significa ter que recuar por falta de elementos que justifiquem a precipitação da polémica e da desconfiança.

Política é feita com o cérebro e jamais deverá ser com as vísceras. A iniciativa do Grupo Parlamentar do MPLA antecipa um quadro novo a ser vivido no País: a existência das figuras de antigo Presidente da República, por cessação de mantado eleitoral (não se recandidatam).

Pensar o futuro é a arte de fazer política com inteligência e habilidades. Que esta lição seja incorporada por todos. Sobretudo por aqueles que, no afã de gerar polémicas eleitorais, ignoram que Angola não pode parar.

PortalMPLA/EM/AB

Veja todas as notícias