OPINIÃO: Oposição escolheu um mau caminho - Victor Carvalho*

“Seria bom saber-se o que pensam os líderes da oposição, em relação ao seu próprio futuro”.

 

Luanda, 05 SETEMBRO 17 (3ª FEIRA) - Infelizmente, para a democracia, a oposição em Angola voltou a mostrar que não está preparada para desempenhar o seu papel.

Mesmo com o substancial aumento do número de representantes no Parlamento, conseguidos em eleições, que diz estar prenhe de “irregularidades”, a verdade é que a oposição continua a teimar a escolher o caminho errado para um dia poder chegar ao poder.

O desconhecimento das regras democráticas, onde sempre haverá vencedores e vencidos e das leis que conformaram o processo eleitoral dão uma imagem negativa e pouco tranquilizadora da oposição, deixando antever tempos muito conturbados, se um dia chegar ao poder.

Não respeitar as instituições, ignorar aquilo que foi a posição unânime de observadores nacionais e internacionais e fazer tábua rasa dos sucessivos apelos da sociedade civil, para que respeite o voto popular, não abona quem diz ter aspirações de poder e constitui um atropelo ao jogo democrático.

Insistir em acusações atabalhoadas, sem sustentação real de prova e reiteradamente eivadas de má-fé só se pode justificar pela dificuldade que a oposição tem em justificar mais esta derrota, não só perante a generalidade do povo angolano como, sobretudo, nas pessoas que nela confiaram, acreditando nas promessas que lhes foram feitas.

Trata-se, como é fácil de ver, de uma opção perigosa para a oposição, até porque pode ser entendida como uma mera manobra de diversão para desviar as atenções sobre as responsabilidades que tem por tentar vender “gato por lebre” a um povo suficientemente adulto para se não deixar cair em aventuras políticas.

Já agora, seria bom saber-se o que pensam os líderes da oposição, em relação ao seu próprio futuro. É que, se essa definição não for feita, muitos começarão a pensar que toda esta confusão não passa de uma tentativa de se perpetuarem no lugar que ocupam e que alguns diziam ir abandonar em caso de derrota nas eleições.

Até porque se estivessem verdadeiramente engajados na disputa meramente política saberiam que a chegada ao poder é um processo demorado, que precisa de muito trabalho sério e de realizações objectivas.

O fim da guerra aconteceu apenas há 15 anos, tempo demasiado curto para que a memória colectiva do povo esqueça tudo o que passou, desde a proclamação da Independência até ao silenciar das armas.

É por isso que as acusações que a oposição faz às instituições que regularam as eleições estão condenadas a ser vistas, pela maioria do povo, como meras desculpas de maus perdedores.

Jornalista*

PortalMPLA/VC/AB

In JA: 05.09.17

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