OPINIÃO: Há reserva emocional e política suficiente – Jorge Ntiamba

CREATOR: gd-jpeg v1.0 (using IJG JPEG v80), quality = 70“Mantem-se a tradição de estarmos unidos, para vencermos os desafios do desenvolvimento” - 22.05.17.

 Luanda, 22 MAIO 17 (2ª FEIRA) - Perante o quadro de invasão de Angola, o saudoso Presidente António Agostinho Neto disse, em 1978, numa Cimeira da OUA, em Cartum, Sudão: “A escalada de guerra só fará de nós mais capazes de realizar a nossa ajuda internacionalista em relação à Namíbia, ao Zimbabwe e ao povo negro oprimido da África do Sul. Temos reserva emocional e política suficiente para comportar os anos de luta que se seguirão”.

Aconteceu que os povos da África Austral tornaram-se independentes. O regime segregacionista do apartheid foi abolido da face da terra.

Para chegarmos ao ponto acima referido não foi fácil. O Camarada Presidente José Eduardo dos Santos apoiou, com firmeza, a luta de libertação contra os últimos bastiões do colonialismo e contra o regime do apartheid.

A determinação e a bravura dos angolanos mais a solidariedade de outros povos impediram os racistas sul-africanos de impor a sua supremacia.

O Camarada Presidente José Eduardo dos Santos assegurou, no dia 11 de Novembro de 2015, que “a batalha do Cuito-Cuanavale foi uma das mais importantes, que ocorreu em África ao sul do Sahara, entre Angola e a África do Sul, depois da 2ª Guerra Mundial. Nela participaram mais de 24 mil homens. Do lado de Angola, combateram mais de nove mil homens, com 62 tanques, 51 carros blindados, 113 peças de artilharia, 288 veículos de transporte, duas esquadras de aviões de combate e uma de aviões de apoio e reconhecimento, uma esquadra de helicópteros de ataque e outra de helicópteros de apoio e resgate.

“As vitórias abriram caminho para a assinatura em Nova Iorque, em Dezembro de 1989, do acordo entre Angola, África do Sul e Cuba, sob mediação dos Estados Unidos da América, pondo fim ao conflito regional e permitindo a independência da Namíbia, a libertação de Nelson Mandela e a abolição do sistema do apartheid. Deste modo, foi conquistada a libertação total de África e realizado um dos maiores sonhos do nosso continente”.

Fazendo o devido uso da reserva emocional e política ainda existente, actualmente mantem-se a tradição de estarmos unidos, para vencermos os desafios do desenvolvimento político, económico e social dos respectivos países.

É sintomático o facto de a reunião, de 18 de Maio corrente, em Luanda, dos secretários-gerais do MPLA (Angola), do Chama-Chá-Mapinduzi (Tanzânia), da SWAPO (Namíbia), do ANC (África do Sul), da ZANU-PF (Zimbabwe) e da FRELIMO (Moçambique), realizada no quadro da concertação política e consolidação das relações de amizade e de cooperação existentes entre si, há várias décadas, ter reflectido, com preocupação assinalável, sobre a situação prevalecente na República Democrática do Congo, onde o recrudescimento das acções militares tem provocado centenas de mortes e milhares de refugiados em territórios vizinhos.

Na senda da necessidade de Angola caminhar lado-a-lado com os seus irmãos africanos, o Camarada João Lourenço, candidato do MPLA a Presidente da República, disse que “vamos privilegiar e aprofundar as nossas relações com os países da SADC, de que somos parte. Vamos trabalhar com eles para que algum dia a integração económica nesta importante região do nosso continente seja uma realidade”.

Mais adiante continuou o apelo: “vamos trabalhar para que as trocas comerciais entre os nossos países fluam facilmente, para que, antes de irmos buscar outros mercados à procura de bens e serviços, esgotemos primeiro este mercado, que é o nosso mercado. O mercado da SADC, se estiver economicamente integrado”.

Se as lideranças dos partidos políticos, emanados dos antigos movimentos de libertação nacional, que proporcionaram as independências nos respectivos países, continuam de forma incansável a desenvolver esforços com vista à preservação da chama da união dos povos africanos, o gesto é elucidativo, para a necessidade de mobilizar o povo, para que se envolva nessa nobre batalha de caminharmos juntos para o desenvolvimento comum.

(Na foto, estátua do Fundador da Nação Angolana, Camarada Presidente Agostinho Neto, no seu Memorial, em Luanda).

PortalMPLA/JN/AB

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