OPINIÃO: Aviso à navegação - Duarte Kanakassala

É surpreendente que a confiança depositada na CNE seja agora posta em causa.

Luanda, 06 JUNHO 17 (3ª FEIRA) - O candidato do MPLA a Presidente da República, João Lourenço, denunciou, sábado, 03 de Junho, em Mbanza-Congo, o desígnio de alguns partidos da oposição de prorrogarem a data aprazada para a realização, em 23 de Agosto deste ano, das Eleições Gerais em Angola.

O também Vice-Presidente do Partido assinalou que, em África, o normal é os partidos no poder quererem perpetuar - se no poder e, em contraponto, os da oposição exigirem a realização de eleições, com o fito deliberado de assumirem a governação.

“Está a acontecer algo muito estranho e preocupante”, disse João Lourenço, referindo -se às sucessivas manobras da oposição, que, num primeiro momento, descredibilizou o Ministério da Administração do Território, quanto à sua legitimidade em organizar o processo de registo dos eleitores à escala nacional, alegando que tal competência seria da Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

É surpreendente – afiançou - que a confiança depositada na CNE seja agora posta em causa, em virtude da selecção, por via de concurso público, das duas empresas que deverão fornecer as soluções tecnológicas e os materiais logísticos imprescindíveis à realização das eleições.

O candidato do MPLA foi ainda mais longe, ao sugerir que os representantes dos partidos da oposição na CNE concordaram com a adjudicação da empreitada às empresas especializadas.

O diário privado angolano “O País”, na sua edição de domingo, 04 de Junho, revela, por seu lado, que os representantes da UNITA e da CASA-CE na CNE, respectivamente, Isaías Chitombi e Miguel Francisco “Michel”, rubricaram as actas das reuniões que estão na base da contratação da INDRA e da SINFIC.

Percebe- se, assim, o que João Lourenço quis dizer, sábado, em Mbanza-Congo: “Mostrem – nos as assinaturas e o problema fica resolvido. Se assinou, é o Partido que concordou. Provem isso, mostrem isso! A sociedade está sedenta por saber”.

Um aviso à navegação - é assim como diferentes observadores políticos encaram o pronunciamento de João Lourenço em Mbanza-Congo, em relação às forças de bloqueio à realização das eleições nas datas aprazadas.

PortalMPLA/DK/AB

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