DISCURSO PROFERIDO PELA CAMARADA LUÍSA DAMIÃO, VICE-PRESIDENTE DO MPLA, POR OCASIÃO DA MESA REDONDA SOBRE A DIMENSÃO CULTURAL E POLÍTICA DE AGOSTINHO NETO

Camarada Paulo Pombolo, Secretário-Geral do MPLA; 

Caros membros do Secretariado do Bureau Político;

Caros oradores e convidados;

Minhas senhoras e meus senhores; 

 

1. É com incontida emoção que expresso as saudações da direcção do MPLA e do seu líder, o Camarada Presidente João Lourenço, a todos os presentes que acederam ao nosso honroso convite para uma justa e merecida homenagem ao Guia Imortal da revolução angolana, o saudoso Dr. António Agostinho Neto, Presidente fundador da Nação Angolana.

 

2. Esta actividade que nos congrega neste lugar, celebra e rememora a vida e obra do Presidente Fundador da Nação Angolana, 41 anos depois do seu desaparecimento físico, configurando o seu legado histórico que deve ser promovido sempre, para o conhecimento e estudo das novas gerações, que precisam aprender sobre o nosso passado histórico e a bravura dos nossos heróis, dentre os quais se destaca o Dr. António Agostinho Neto.

 

3. António Agostinho Neto, médico, escritor, político e personalidade incontornável da luta pela libertação de Angola e dos povos africanos contra à subjugação colonial, nasceu em 17 de Setembro de 1922, na localidade de Kaxicane, município do Icolo e Bengo.

 

 

4. "Enquanto o sorriso brilhava/ no canto de dor/ e as mãos construíam mundos maravilhosos". Agostinho Neto marca indelevelmente a política angolana e é ponto de partida da evolução desta, tendo proclamado a independência de Angola em 11 de Novembro de 1975, depois de longos séculos de colonização portuguesa. “As minhas mãos colocaram pedras nos alicerces do mundo”. É um herói da afirmação da identidade Nacional e dos valores da angolanidade.

 

5. O Presidente António Agostinho Neto é sem dúvidas uma das maiores figuras de capital importância da história angolana da 2ª metade do século XX. "Na harmonia das correntes ou no sossego dos lagos/ mesmo na beleza do trabalho construtivo dos homens", Agostinho Neto mostrou-se ideologicamente um progressista, inteligente, carismático e determinado, na luta para a independência do seu país, que tanto amou em companhia de seus companheiros de trincheira e nos premiaram com a Independência Nacional.

 

6. Reitero o que disse em intervenções anteriores: Agostinho Neto é reconhecido internacionalmente e seus feitos ultrapassam fronteiras. Para Joaquim Chissano, Neto representa um nacionalista sem fronteira. Adriano Moreira definiu-o como o poeta que sonhava futuros, ao passo que Beto Van-dúnem foi mais peremptório: se em determinados momentos há homens insubstituíveis, Neto era um deles!

 

7. "Vergastado pelos homens/ linchado nas grandes cidades/ esbulhado até ao último tostão/ humilhado até ao pó", Agostinho Neto resistiu e persistiu na sua convicção e luta. Não é mero acaso que foi considerado Prisioneiro do Ano pela Amnistia Internacional, em 1958 e mereceu a outorga do Prémio Lótus, em 1970, pela Conferência dos Escritores afro-asiáticos. 

 

8. No seu percurso histórico, para além da sua dimensão humanista e revolucionária, tem as suas impressões digitais em vários domínios da vida do país como, por exemplo, na cultura, na saúde, na educação, na economia do país, sem olvidar o seu olhar que o coloca como um dos expoentes máximos e imprescindíveis para a história das ideias políticas angolanas.

 

9. É mister observar que Agostinho Neto é um dos autores dos PALOP mais traduzido no mundo e, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, é um dos autores africanos mais traduzidos e estudado nas universidades do mundo, com destaque para a Universidade de Roma Tre, em Itália e Universidade do Porto, em Portugal, onde é baptizado com uma Cátedra, estudado na Nigéria, no Brasil e nos Estados Unidos de América (EUA).

 

10. Por uma literatura fortemente engajada com África, pontifica a sua poética com os seus atraentes e cativantes versos de liberdade, "mesmo na magia poderosa da terra/ e da vida jorrante das fontes e de toda parte e de/ todas as almas/ e das hemorragias dos ritmos das feridas de África/ e mesmo na morte do sangue ao contacto com o chão/ mesmo no florir aromatizado da floresta/ mesmo na folha/ no fruto/ na agilidade da zebra/ na secura do deserto".

 

11. Hoje, passados anos, com "amor brotando virgem em cada boca/ em lianas invencíveis da vida espontânea", sentimos cada vez mais os seus feitos que encontra a sua dimensão mais alta na cultura. Em cada ideia dos seus escritos e discursos há uma lição. O mais importante é! Resolver os problemas do Povo. A agricultura é a base e a indústria o factor decisivo. 

 

12. Em cada verso da sua riquíssima poética, ficam patentes que Neto foi uma figura que ultrapassou o seu tempo, configurando um verdadeiro clássico. No sonho de Agostinho Neto para toda a humanidade, "Nós teremos em nossas mãos outras vidas e alegrias, / a ânsia de sermos/ com os nossos povos/ hoje sempre e cada vez mais/ livres".

 

13. Essas e outras ideias profundamente marcantes, fazem sentido e nos impelem a colocar em prática o legado de Neto, segundo o qual:

"Lutar pra nós é ver aquilo/ que o Povo quer/ realizado./ É ter a terra onde nascemos./ É sermos livres pra trabalhar./ É ter pra nós o que criamos/ Lutar pra nós é um destino -/ é uma ponte entre a descrença/ e a certeza do mundo novo."

14. E é, exactamente, o que estamos a procurar dar sentido no nosso tempo, com a liderança do Camarada Presidente João Lourenço, que é alvo de manifestações positivas e encorajamentos, dos académicos, da sociedade civil, das populações e dos partidos políticos, pelas conquistas alcançadas nos 3 primeiros anos de governação, caracterizados por uma maior aposta à juventude e à mulher, na saúde e na educação, na redução da fome e pobreza, na alteração da estrutura económica do País, no aumento das liberdades de manifestação, expressão e imprensa, no aumento das liberdades de religião e culto, o combate à corrupção, à impunidade e ao nepotismo, o resgate da credibilidade e imagem do Estado, um maior diálogo com a sociedade civil e de governação de proximidade, para vencermos os desafios que se colocam ao país, num contexto difícil em que as economias mais robustas e as menos fortes, como a de Angola, enfrentam grandes dificuldades, agravadas pela Covid-19. 

 

15. Tudo isso, traduz bem na prática, a materialização da máxima de Agostinho Neto, segundo a qual O mais importante é! Resolver os problemas do Povo”.  

 

Caros participantes; 

 

 

16. Não se pode jamais diminuir ou denegrir a imagem ou ainda reduzir a dimensão de Agostinho Neto. O seu sentido humanista e de liderança do país, fica expressa na necessidade da formação do homem novo por via da educação e dos valores e ideais do povo angolano. Atente-se nessa passagem do discurso proferido no acto de proclamação da independência nacional:

A República Popular de Angola reafirmará o propósito inabalável de conduzir um combate vigoroso contra o analfabetismo em todo País, promover e difundir uma educação livre, enraizada na cultura do Povo Angolano

17. Como primeiro Presidente de Angola independente, decreta, a 22 de Novembro de 1976, a Campanha Nacional de Alfabetização, sendo que a partir de 1978 esta data foi institucionalizada como Dia Nacional do Educador.

O índice de cidadãos educados de um país indica o nível de desenvolvimento do mesmo. Quanto mais pessoas analfabetas, menos desenvolvimento  perspectivara Neto no acto da abertura da referida campanha.

 

18. A educação e o ensino eram uma das facetas fundamentais do pensamento estratégico de Neto. O programa de combate ao analfabetismo permitiu que o país tivesse alfabetizado até 1980 um milhão de angolanos, valendo-lhe a outorga do Prémio Internacional da UNESCO. 

 

19. Curvemo-nos perante os ensinamentos e a memória de Neto, perpetuando a sua obra nas presentes e futuras gerações. Não posso deixar de desafiar uma vez mais, as universidades do País em particular, a Universidade Agostinho Neto no sentido de promover a elaboração de projectos de estudos no âmbito do centenário de Agostinho Neto e quiçá fazer surgir cátedras. Aliás, "a menos que o sol brilhe, não pode haver a luz do dia", essa luz que reforça a nossa identidade africana; a nossa identidade angolana.

 

20. Neste sentido os nossos parabéns à Universidade Metodista de Angola, que tem um curso sobre estudos Netianos, porque não, a Faculdade de letras da Universidade de Agostinho Neto criar um Departamento ou estudos sobre a vida e obra de Neto, a semelhança de algumas academias do mundo.

 

21. Auguro que os depoimentos sobre a vida e obra de Agostinho Neto contribuam para o aumento do conhecimento das gerações presentes e futuras. 

 

 

Viva a Angola libertada

Viva a Angola independente

A Luta continua e a Vitória é Certa. 

 

Obrigada pela vossa especial atenção.

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