Discurso do Camarada Presidente nas conversações com homólogo chinês

“OS NOSSOS DOIS PAÍSES TÊM IMENSAS POTENCIALIDADES PARA VALORIZAR E PODEM IR MAIS LONGE, ESTABELECENDO PROGRAMAS BILATERAIS DE COOPERAÇÃO MAIS REALISTAS E DEFININDO CORRECTAMENTE QUAIS AS PRIORIDADES” – Beijing (China), 09.06.15.

 

Luanda, 29 JUNHO 15 (2ª FEIRA) – Texto integral do discurso pronunciado, no dia nove de Junho de 2015, em Beijing, pelo Camarada José Eduardo dos Santos, Presidente da República de Angola, na abertura de conversações com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, no âmbito da sua visita de Estado à República Popular da China:

“Sua Excelência Xi Jinping, Presidente da República Popular da China,

Excelentíssimos membros das delegações chinesa e angolana,

Minhas senhoras e meus senhores,

Agradeço, em primeiro lugar, a deferência do convite para esta minha visita de Estado à República Popular da China e a grande simpatia e hospitalidade com que estamos a ser recebidos.

A história tem demonstrado que é na base da confiança e do respeito mútuo que se forjam as relações sólidas e duradouras e a parceria estratégica entre Angola e a China constitui o seu expoente.

De facto, são muito fortes os laços de amizade e solidariedade que ligam os nossos países, que queremos continuar a estreitar.

A República Popular da China foi o país que mais depressa compreendeu a situação difícil de pós-guerra em que Angola se encontrava em 2002 e qual o apoio que lhe poderia dar para a reconstrução nacional.

Em poucos anos, o nosso país conseguiu grandes progressos e, hoje, Angola já é o segundo parceiro comercial da China em África e a China o maior importador mundial do petróleo angolano.

Os nossos dois países têm imensas potencialidades para valorizar e podem ir mais longe, estabelecendo programas bilaterais de cooperação mais realistas e definindo correctamente quais as prioridades.

Queremos continuar a realizar acções conjuntas com a China, no domínio das infra-estruturas básicas e económicas, no domínio da educação, da ciência e da formação de técnicos e especialistas, da produção da energia e da água potável e no domínio da agricultura, indústria transformadora e geologia e minas.

A condição indispensável para se continuar a ter bons resultados na economia e na cooperação bilateral é conduzir a aplicação de uma política macroeconómica que garanta a estabilidade e o crescimento económico sustentável. A acção coordenada das políticas fiscal, monetária e cambial permite ter sob controlo a inflação, que hoje é de cerca de 8 por cento.

Enfrentamos um problema sério, que é o da economia essencialmente dependente da exportação de um único produto, o petróleo bruto, que representa cerca de 90 por cento do total das exportações angolanas. Por essa razão, adoptámos políticas públicas para alcançar a diversificação da economia, nos próximos anos.

A queda significativa do preço do petróleo bruto e a consequente redução acentuada das receitas do Estado, obrigou-nos a rever em baixa o nosso Orçamento Geral de Estado e a fazer contenção de despesas, diminuindo a nossa capacidade de reabilitar infra-estruturas económicas e sociais e de promover investimentos públicos e privados.

No quadro da nossa parceria estratégica, queremos estudar, com a República Popular da China, como estabelecer acordos bilaterais para acelerar a aplicação do nosso Programa de Diversificação da Economia, tendo em conta a vossa capacidade tecnológica e os meios necessários que detêm.

Estamos confiantes de que daí surgirão novas formas de se reforçar e consolidar a nossa cooperação, com vantagens recíprocas. Neste contexto, pretendemos renegociar os actuais termos da dívida e negociar novos acordos de financiamento, uma vez que os recursos da linha de crédito da República Popular da China têm sido uma das principais fontes de financiamento das acções executadas e a executar no sector público e privado.

Angola vai continuar empenhada em criar as condições para um ambiente mais favorável a essa cooperação, no que diz respeito à promoção e protecção recíproca de investimentos, à rejeição da dupla tributação e à facilidade na concessão de vistos.

É bom frisar, por outro lado, que a República Popular da China pode, também, ser um parceiro estratégico de Angola, no domínio da ciência, da tecnologia e da inovação, designadamente no desenvolvimento de projectos de investigação, no apoio a centros de pesquisa e na criação de infra-estruturas de investigação de ponta.

Deste modo, será possível promover a inserção e participação da comunidade científica angolana nas redes internacionais de investigação e desenvolvimento, permitindo a transferência de conhecimento para o aumento da competitividade das nossas empresas e a disponibilização de serviços e produtos para a melhoria da qualidade de vida do nosso povo.

Espero que nesta visita seja possível assinar acordos onde estejam listados todos os projectos e a forma de os implementar.

 

Excelência,

 

O nível de entendimento político entre os nossos dois países tem permitido que adoptemos posições coincidentes em relação aos grandes temas da actualidade internacional e regional, designadamente sobre a crise económico-financeira, os conflitos existentes, o ambiente, o terrorismo transnacional, a imigração ilegal e as grandes endemias.

Espero que essa concertação se mantenha e reforce entre nós, porque é urgente que todos nos esforcemos por criar um Mundo de paz, em que todos os países se sintam seguros e livres de adoptarem as opções políticas, económicas e culturais do interesse dos seus povos, contribuindo, de forma harmoniosa, para o progresso e bem-estar da humanidade.

Agradeço o apoio que o vosso país tem dado a Angola na Comissão para os Direitos Humanos das Nações Unidas e exprimo o nosso desejo de continuar a concertar as nossas acções no quadro do Conselho de Segurança da ONU.

Reitero os meus agradecimentos a Vossa Excelência, pela calorosa e cuidada recepção, a mim e à delegação que me acompanha e espero que esta visita seja coroada de êxito.

Muito obrigado”.

PortalMPLA/SACII-Imprensa

 

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