Deputado Diogo Ventura: “Este é o momento da consolidação da paz” em Angola

Intervenção, sexta-feira (20), em Luanda, do parlamentar do MPLA, pelo Círculo Nacional, camarada José Diogo Ventura, na foto, no debate mensal da Assembleia Nacional de Angola, sobre o tema “O papel da família no resgate dos valores éticos, cívicos, culturais e morais”.

 

Luanda, 24 MAIO 16 (3ª FEIRA) - Intervenção, sexta-feira (20), em Luanda, do parlamentar do MPLA, pelo Círculo Nacional, camarada José Diogo Ventura, na foto, no debate mensal da Assembleia Nacional de Angola, sobre o tema “O papel da família no resgate dos valores éticos, cívicos, culturais e morais”:

“Permitam-me que dê, também, a minha participação no tema do debate que está proposto para hoje e, desde já, felicito o Grupo Parlamentar do MPLA que o propôs.

 

Excelências,

 

Num passado, não muito longínquo, o conceito de família era, entre nós, entendido como sendo verdadeiro tesouro da comunidade, formado por pessoas ligadas por descendência ou adopção, a partir de um ancestral comum. Havia um esforço comum para preservá-la e a solidariedade não era uma palavra vã.
A grande maioria da população angolana era poligâmica, na qual o homem vivia com mais de uma esposa, de forma assumida e responsável e segundo critérios da comunidade, que todos conheciam e eram aceites. O velho era respeitado e protegido, o jovem era considerado filho de todos e os adultos assumiam a responsabilidade dos desvios e traquinices dos mais novos.

Esse sistema era tão forte, que chegou às zonas periurbanas e, mesmo, urbanas em algumas províncias. Houve algumas excepções em certos grupos de religiosos e funcionários públicos, que seguiam o sistema de convivência europeu e monogâmico.


 

 

Todavia, esse sistema de vida comunitária foi sendo perturbado e desestabilizado por agressões externas, tais como a escravatura e o contrato compulsivo, no qual o jovem era levado para regiões muito distantes, onde encontrava hábitos e culturas muito diferentes dos seus, como aconteceu na época colonial.

Essa desestabilização aumentou com a repressão durante as lutas de libertação nacional, desde a clandestinidade até à luta armada e agravou-se, posteriormente, com a guerra civil prolongada, em que as famílias foram profundamente destruídas e dispersas. Esta é uma das principais causas da situação anormal em que a família angolana actualmente se encontra.

No período pós-guerra, depois de reflexões sobre a reorganização da sociedade angolana, o Estado, tal como na maioria dos países, manteve a família como a pedra basilar do desenvolvimento. Reconheceu como sendo mais vantajoso, a instituição da família monogâmica, constituída pelo casamento civil e a união de facto.

Estes tipos de famílias podem ser:

- NUCLEAR, constituída, apenas, pela união de um homem e uma mulher (pais) e respectivos filhos. 

- ALARGADA, constituída por pais e filhos, integrando, também, os ascendentes (avós) e outros parentes c:olaterais (tios, sobrinhos e outros). Contudo, hoje em dia, não só como resultado do longo conflito armado, mas também por influência do intercâmbio com outras culturas e novas tecnologias, assistimos ao aparecimento de outros tipos de família, entre as quais destaco:

- FAMÍLIA MONOPARENTAL, onde os filhos são criados, apenas, por um dos progenitores (situação resultante da morte ou abandono de um deles).

- FAMÍLIA PARALELA, em que o chefe de uma família matrimonial, geralmente o homem, mantém, simultaneamente, relacionamento extraconjugal, muitas vezes com vários filhos.

- FAMÍLIA RECONSTITUÍDA, formada por nova união, em que o casal, vindo de separação ou divórcio, traz os seus filhos e geram outros filhos na nova união. Em princípio, todos os filhos (meus, teus e nossos), que devem ser considerados e criados da mesma maneira, mas provenientes de três famílias geradoras.

Assistimos, igualmente, que os interesses na união matrimonial estão a mudar, deixando de ser afectivos, com falta de sentimentos e princípios morais e cívicos anteriormente aceites, passando a ser movidos por interesses, fundamentalmente, económicos e criação de grupos sociais classistas.

Como resultado, o homem adulto de hoje, que durante a sua infância foi afastado das suas raízes, não conhece o valor da família e comporta-se como mero progenitor, sem qualquer afecto para com os seus descendentes e, muitas vezes, procurando até afastar-se deles.

Assim acontece com aqueles que negam a paternidade de seus filhos, abandonando-os na lixeira ou outros locais inseguros; praticam o assédio e a violência doméstica, a violação sexual e atentados ao pudor, em completo desrespeito às normas de convivência social estabelecidas.

Esta é a situação que actualmente prevalece, com perda quase completa de valores, tais como a amizade, amor, compreensão, solidariedade, harmonia, honestidade, responsabilidade, sinceridade, hospitalidade, dentre outros.

Assiste-se, pelo contrário, ao crescimento exponencial de ambições políticas, económicas, do imediatismo, do egoísmo exacerbado e o não reconhecimento dos direitos e valores alheios. É, portanto, uma situação que a todos diz respeito e não apenas às instituições governamentais.

Este é o momento da consolidação da PAZ, duramente conquistada, no qual devemos aumentar o nosso sentimento patriótico, restaurando e buscando, cada um nós, as energias e compromissos para o fortalecimento das nossas famílias.

Face ao exposto, permitam-me, ainda, apresentar algumas sugestões, para o que penso poder proporcionar uma longa vivência familiar:

 - Utilização de profissionais de Educação e Assistência Social, para interagir com os membros da comunidade;

- Reactivação, nas escolas, da orientação moral e cívica e a prática de bons costumes; 

- Frequência e participação nas igrejas reconhecidas pelo Estado;

- Cultivo de valores fundamentais, como: Justiça, Respeito, Perdão, Solidariedade e

Protecção aos mais vulneráveis;

- Cultivo no seio familiar do uso do diálogo franco e reconciliação sincera, perante as dificuldades que surgem nos momentos de divergência; 

- Manutenção e reconhecimento da família como núcleo fundamental da sociedade; 

- Asseguramento da subsistência, guarda, protecção e educação integral dos filhos;

- Educação dos jovens, com exemplos práticos de bom comportamento moral e cívico, que desejamos que eles assumam, quando atingirem a fase adulta;

- Promoção da defesa da estabilidade familiar, da qual dependerá o desenvolvimento político, democrático, social e económico do país”.

PortalMPLA/DV/AB

 

 

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