Camarada Américo Boavida faleceu há 46 anos

O médico-responsável dos Serviços de Assistência Médica (SAM) da então 3ª Região Político-Militar do MPLA foi morto no dia 25 de Setembro de 1968, vítima de bombardeamento aéreo da antiga aviação colonial portuguesa. Na foto, os camaradas Américo Boavida (à direita) e Agostinho Neto, durante a Luta Armada de Libertação Nacional de Angola (1961/1975). 

 

Luanda, 25 SETEMBRO 14 (5ª FEIRA) – A história assinala hoje, quinta-feira, 25 de Setembro de 2014, 46 anos sobre a data da morte, em 1968, do camarada Américo Boavida “Ngola Kimbanda”, vítima de um bombardeamento aéreo da força aérea portuguesa, a uma base do MPLA, ainda durante o período da Luta Armada de Libertação Nacional contra o colonialismo, em Angola. 

O MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e o povo angolano registavam, assim, uma perda grave, na sequência desse bombardeamento, levado a cabo, durante duas horas, na região dos Bundas, província do Moxico, por três helicópteros e igual número de bombardeiros do exército colonial português.

À data sua morte, o camarada Américo Boavida contava 44 anos de idade e era o médico-responsável dos Serviços de Assistência Médica (SAM) da 3ª Região Político-Militar do MPLA, no leste de Angola, cargo que exercia desde Janeiro de 1967.

 

Dados biográficos

 

Américo Alberto de Barros e Assis Boavida nasceu em Luanda, a 20 de Novembro de 1923 e faleceu, no município dos Bundas, província do Moxico, em 25 de Setembro de 1968.

Filho de Joaquim Fernandes Alves Boavida e de Acília Van-Dúnem de Assis, foi médico e activista político do MPLA. Viveu a sua infância na Ingombota, em Luanda e frequentou o Liceu Salvador Correia.

Em 1947, partiu para Portugal, onde, cinco anos depois, licenciou-se em Medicina, pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Em 1953, especializou-se em Medicina Tropical, no Instituto de Medicina Tropical de Lisboa e em Saúde Pública, no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, também na capital portuguesa.

Em 1954, fez o seu estágio em Ginecologia, na Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona, no Reino de Espanha.

Regressado a Angola, em 1955, começou a exercer a profissão de médico, por conta própria, celebrizando-se por atender, no seu consultório, pacientes de condição social desfavorecida.

Em Luanda, conheceu Maria da Conceição Deolinda Dias Jerónimo, com quem se casou, em 1958.

Após nova passagem por Barcelona (Espanha), em 1960 partiu para Paris (França), onde frequentou um estágio de três meses, na Clínica Ginecológica da Universidade de Paris.

Animado pelas ideias nacionalistas, partiu para a República da Guiné-Conacry, para integrar o primeiro Comité Director do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), conjuntamente com Viriato da Cruz, Mário Pinto de Andrade e Lúcio Lara, sendo escolhido para dirigir o Corpo Voluntário Angolano de Assistência aos Refugiados (CVAAR), que, em 1961, foi criado na então cidade de Léopoldville, hoje Kinshasa, capital da República Democrática do Congo.

Em 1963, abandonou Léopoldville, fixando-se em Rabat, capital do Reino de Marrocos, onde residiu durante quase três anos, Aí, manteve uma intensa actividade profissional e de reflexão, escrevendo o livro “Angola, cinco séculos de exploração portuguesa”.

Em 1965, cumpriu um estágio, no Instituto Checoslovaco de Aperfeiçoamento de Médicos, em Praga e, no ano seguinte, fez um curso de pós-graduação em Planeamento Familiar, em Estocolmo, Reino da Suécia, onde participou, como delegado ao 5º Congresso Mundial sobre Fertilidade e Esterilidade.

A 13 de Outubro de 1966, nasceu o seu único filho, Mudumane Diógenes Van-Dúnem Boavida.

Regressando à África, em 1967, fixou-se em Brazzaville, capital da República do Congo.

Respondendo a um apelo da Direcção do MPLA, para a abertura da Frente Leste, Américo Boavida, acompanhado pelo comandante José Mendes de Carvalho “Hoji-ya-Henda”, deslocou-se para a nova frente de combate, onde desenvolveu uma extenuante acção médico-sanitária, em vastas regiões do Moxico e do Cuando-Cubango, organizando os Serviços de Assistência Médica do MPLA.

Na manhã do dia 25 de Setembro de 1968, Américo Boavida foi vitimado por um bombardeamento aéreo do exército português à “Base Hanói II” do MPLA, onde se encontrava, perto do Rio Luati e da floresta de Cambule, no Moxico.

O seu nome está associado ao Hospital Américo Boavida, no município do Rangel, em Luanda e, também, à rua onde morou, no distrito urbano da Ingombota, também na capital do país.

A data da sua morte foi escolhida para institucionalizar, em Angola, o “Dia Nacional do Trabalhador da Saúde”.

PortalMPLA/AB

 

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