Angola não pode cometer o erro de estar distante da China – Eduardo Magalhães

“O nosso país não pode e nem terá tempo de gerir a dor de cotovelo ou o ciúme de terceiros” – 03.12.15. Na foto, os presidentes José Eduardo dos Santos (esq.) e Xi Jinping.

 

Luanda, 03 DEZEMBRO 15 (5ª FEIRA) - A parceria Angola/China é uma questão primordial para o nosso país. Este caminho, que desperta sentimentos confusos entre outros players, permite a Angola a sua inserção, com possibilidades concretas de autonomia, no novo desenho traçado para o Mundo, no século actual.

Neste novo desenho, ao contrário daquilo que muitos dizem, Angola não está a fechar as portas para outras alianças, mas, antes pelo contrário, ao promover o estreitamento das relações com a China, busca estar menos vulnerável aos riscos das sucessivas crises económicas e financeiras, tão evidentes nestes primeiros anos do Século 21.

Nessa aproximação com os chineses, Angola tem amplas possibilidades de encontrar caminhos alternativos e seguros, pois reside na capacidade de ler os sinais dados pelo poder mundial, o trunfo de vislumbrar a China, tão criticada por alguns, como o país ideal para permitir que possa promover a diversificação económica, tão necessária.

Nunca é demais lembrar que a República Popular da China está prestes a, em poucos anos, assumir o posto de maior economia do planeta e é sempre bom estar ao lado dos mais fortes.

Pequim, desde o final do século passado, tem buscado ampliar as relações com o continente africano. Neste sentido, a cooperação China/África assume, cada vez mais, as duas conhecidas modalidades, uma multilateral e a outra a bilateral, que, no caso de Angola, é vista aos olhos de alguns países sob prismas distorcidos.

As trocas comerciais entre África e a China ultrapassaram, em 2014, mais de 200 mil milhões de dólares norte-americanos. O volume de negócios entre Angola e o gigante asiático, no mesmo período, atingiu a cifra de 37 mil milhões de dólares norte-americanos.

A despeito da inegável necessidade de diversificar a economia, Angola é um país produtor de petróleo e a China é hoje um mercado receptor de 28 por cento das exportações do crude africano.

Diante disso, negar a aproximação com os chineses seria, não apenas um erro angolano, mas, também, uma ameaça aos interesses do nosso país.

Sendo a China, hoje, também a maior plataforma de produção industrial do Mundo e considerando a necessidade urgente de Angola reconstruir e desenvolver o país no pós-guerra, ao mesmo tempo em que assegura melhores condições socioeconómicas, fica difícil criticar os seus caminhos diplomáticos, comerciais e soberanos, de investir nesta aproximação.

Se antes a China era facilmente associada à imagem de que possuía fábricas que produziam artigos de duvidosa qualidade, nos dias actuais os chineses produzem tecnologia de ponta, que, muitas vezes, não está disponível, nem mesmo nos mais avançados países ocidentais.

Angola não pode cometer o erro de estar distante de um país que, mesmo no contexto de crise económica e financeira vivido no planeta, segue em ritmo de crescimento e consolida, todos os dias, o seu nome como uma potência de proporções invejáveis. E o nosso país não pode e nem terá tempo de gerir a dor de cotovelo ou o ciúme de terceiros.

Na relação com a China, Angola consegue, também, preservar os próprios valores, pois não há aqui a obrigação do consumo informativo e de entretenimento produzido ou reproduzido como modelos a partir do ocidente.

Isso permitirá aos nossos cidadãos a visão do desenho e da existência desse novo Mundo.

Este cenário dá, como opção última aos que criticam, o empenho em combater, melancolicamente, de todas as maneiras a nova realidade que se avizinha. Empenho este baseado no discurso obsoleto do anticomunismo que, para além de vencido pelo tempo, é inconsistente, pois longe de assustar consegue, no máximo, ser ridículo.

Aqueles que cobram a diversificação da economia, paradoxalmente, são os primeiros que criticam a tentativa de Angola de promover a expansão de mercado, para que as nossas empresas possam ser fortalecidas também com negócios no exterior.

A cooperação com a China é um passo inicial para que seja evitado o cenário de que apenas as empresas estrangeiras possam instalar-se e fazer negócios em outros países, inclusive o nosso.

Ao trabalhar em parceria com empresas chinesas, as empresas angolanas terão maiores possibilidades de gerar divisas e criar empregos, pois serão mais competitivas.

Como foi dito, ao formar uma cooperação estratégica com a China, o nosso país não está a romper as suas relações com os Estados Unidos da Améria ou com a União Europeia, por exemplo. Antes de tudo, Angola está a exercer a sua soberania e assegurar uma condição mais altiva e digna, de acordo com aquilo que julga interessante para o seu presente e futuro.

Somente um país vocacionado para o progresso, como é o caso de Angola, pode perceber as transformações que, para uns tantos poucos, são invisíveis.

Perceber a história, enquanto ela ainda está em curso, é a maior das virtudes entre os vencedores.

As transformações do Mundo são profundas e constantes e as maiores mudanças são as imperceptíveis. Aquelas que não podem ser lidas nos jornais, mas que podem ser escritas nos anais da história.

(Na foto, os presidentes José Eduardo dos Santos (esq.) e Xi Jinping).

PortalMPLA/EM/AB

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