A NOVA ANGOLA

Cabinda

Na província de Cabinda, norte de Angola, o município de Buco-Zau apaga as marcas da guerra e saboreia a paz.

Luanda, 07/03 – O administrador-adjunto do Buco-Zau, José Macaia, sublinhou, ao Jornal de Angola, a importância da estabilidade política e militar no Maiombe, que permite aos habitantes do município entregarem, sem dificuldade, o que cultivam, nos principais locais de revenda da província.

José Macaia não escondeu o contentamento pela situação que, realçou, “é reflexo da paz, que veio para ficar”.

O administrador desmentiu, desta forma, Raul Danda, deputado da UNITA, que afirmou existir “uma certa apreensão dos cidadãos da aldeia de Cataboangas”, cujas casas, segundo ele, teriam sido destruídas, recentemente, por militares das Forças Armadas Angolanas, na sequência de combates com a autodenominada Flec. “Não corresponde à verdade. Em Buco-Zau reina a calma absoluta, mesmo que haja quem tenha prazer de fabricar mentiras, apenas para tentar criar pânico na população”, referiu.

“Como qualquer pessoa de bem que visite a aldeia, pode comprovar que os habitantes da aldeia vivem em paz e satisfeitos, o que prova, uma vez mais, que a mentira tem pernas curtas”, declarou.

A coabitação entre a população e os efectivos das FAA no Maiombe, disse, é a melhor possível e não há o mínimo motivo para os militares destruírem as casas das pessoas, que eles próprios defendem e respeitam.

 

Sabedoria popular

 

O regedor de Cataboangas e Lites, Pedro Baza, serviu-se de numa máxima popular para definir as declarações do deputado da UNITA e prevenir os incautos: “Os antepassados ensinaram que é melhor ver do que ouvir”.

“As pessoas que propagam mentiras – declarou - são contra a paz, inventam coisas que se desfazem quando alguém que acreditou nelas nos visita e vê que são falsidades”.

“Os mentirosos - riu-se com gosto - é que ficam envergonhados”.

 

Projectos sociais

 

Cataboangas e Lites são aglomerados de oito aldeias, a cerca de outros tantos quilómetros do extremo norte da vila de Buco-Zau.

Desde Junho de 1976 que o país foi obrigado a viver em guerra. Agora, que a paz foi conquistada, a população o que quer é regressar às suas áreas, para ajudar a reconstruir o que foi desfeito, como fez questão de sublinhar o regedor Pedro Baza:

“A nossa vontade, neste tempo de paz, é retornar às nossas aldeias para ternos, finalmente, a vida que sempre quisemos e que os inimigos do povo nos impediram de ter e, por isso, esperamos com ansiedade que nos entreguem as casas”.

As aldeias de Cataboangas e Lites são constituídas por 10 povoados, que têm, no total, cerca de dois mil e 800 habitantes, que vivem dispersos pelo município de Buco-Zau. Dedicam-se, essencialmente, à agricultura de subsistência, à caça e à pesca.

Os repórteres do Jornal de Angola estiveram em Buco-Zau, onde José Macaia lhes confirmou que, desde 1976, as duas aldeias estão despovoadas.

No Cataboangas encontraram um ambiente calmo e casas novas, já pintadas, a ladearem uma estrada ainda de terra batida, que atravessa a aldeia.

O administrador-adjunto do município lembrou que o Governo Provincial continua a executar um projecto de construção de 150 casas sociais “T-3”, para o realojamento dos que, há 35 anos, se viram obrigados a deixar a terra natal e que se habituaram, apesar das adversidades, a viver ali.

O projecto está praticamente concluído. Falta-lhe sistemas de energia eléctrica e água potável, que, em breve, serão instalados.

O Governo Provincial está a construir um sistema de captação e de distribuição de água potável para cada uma das aldeias de Cataboangas e Lites, com capacidade de 30 metros cúbicos e um tanque de armazenamento de 50 metros cúbicos.

Também vão ser instalados dois grupos geradores de 150 Kw e, em cada uma das aldeias, uma escola para o ensino primário, com quatro salas, área administrativa e balneários. 

As obras de construção dos dois estabelecimentos de ensino, financiadas pela Administração Municipal, estão praticamente concluídas.

 

Vias de acesso

 

O Governo Provincial de Cabinda está a reabrir as principais vias de acesso, para permitir a livre circulação de pessoas e de bens e facilitar o escoamento dos produtos agrícolas, do campo para a cidade.

Entre as vias recuperadas conta-se o troço Quissamano/Necuto, de cerca de 30 quilómetros, que a guerra imposta tornara inoperante, mas por onde já circulam, tranquilamente, táxis.

Além do troço Quissamano/Necuto está a ser reabilitada a via Sinde/Tandamatiaba,

Um dos taxistas elogiou o empenho do Executivo na recuperação do tempo gasto com a guerra, na defesa da integridade nacional e no bem-estar das pessoas.

“O MPLA, que ganhou as eleições, deve continuar a demonstrar trabalho, para o povo manter a confiança nele e não se deixar enganar por aqueles que nunca fizeram nada de bom por nós”, salientou Agostinho Conde, o taxista.

FonteJA/AB 

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